As denúncias de violência contra mulheres em ambientes digitais somaram 16.725 registros no Ligue 180 entre janeiro e maio deste ano. O total representa alta de 188,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando a Central de Atendimento à Mulher recebeu 5.795 ocorrências desse tipo.
Os casos envolvem agressões praticadas em redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de jogos e outros espaços virtuais. Entre as situações relatadas estão ameaças, perseguição, divulgação indevida de imagens, chantagem e exposição pública constrangedora.
O aumento dos registros não indica, necessariamente, crescimento proporcional dos crimes. A avaliação é que a elevação pode estar ligada à redução da subnotificação e à maior procura das vítimas pelos canais oficiais de atendimento.
Para adaptar o serviço a esse cenário, o governo federal iniciou a atualização dos protocolos do Ligue 180. Entre 9 e 22 de junho, cerca de 350 atendentes participaram de uma capacitação voltada à identificação e ao encaminhamento de casos de violência digital.
A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, informou que a central já recebia relatos dessa natureza. A nova etapa busca aprimorar o atendimento, com foco no reconhecimento das diferentes formas de agressão pela internet e na orientação correta sobre os procedimentos disponíveis.
O formulário usado pela central também foi alterado. As categorias de violência digital passaram a integrar os registros, o que deve permitir acompanhamento mais detalhado das ocorrências e produção de estatísticas mais precisas.
A relevância desse tipo de denúncia aumentou dentro do conjunto de registros do Ligue 180. Em um ano, a violência digital saiu da sétima para a quinta posição entre as ocorrências recebidas pela central.
Os dados do ano passado mostram desigualdade no perfil das vítimas. Mulheres negras representaram 48% das denúncias de violência digital, sendo 37,5% pardas e 10,5% pretas. Já as mulheres brancas corresponderam a 34,2% dos registros.
Em média, o Ligue 180 recebe cerca de 3 mil atendimentos por dia em seus diferentes canais. Aproximadamente 30% são formalizados como denúncias. Os demais correspondem a pedidos de informação, orientação e encaminhamento.
O avanço dos registros ocorre no contexto da entrada em vigor do Decreto Presidencial nº 12.976/2026, que estabelece medidas de proteção às mulheres na internet e define responsabilidades para plataformas digitais em situações de violência online. A norma passou a valer na última semana e prevê ações de prevenção, atendimento e resposta a casos registrados em ambientes virtuais.
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