OAB-RJ REGISTRA 2.106 DENÚNCIAS DO GOLPE DO FALSO ADVOGADO NO ESTADO

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Um golpe aplicado por criminosos que se passam por advogados tem feito vítimas no Estado do Rio de Janeiro, especialmente entre idosos aposentados e pensionistas com ações judiciais em andamento. A fraude envolve pedidos de transferências bancárias sob a falsa promessa de liberação de valores relacionados a processos.

A OAB-RJ contabiliza 2.106 denúncias desde o ano passado de pessoas que afirmam ter sido alvo desse tipo de abordagem no estado. O crescimento dos relatos já levou a operações policiais e à tramitação de uma proposta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

No esquema, os golpistas usam informações disponíveis em bases públicas e sistemas processuais para tornar o contato mais convincente. Entre os dados utilizados estão nome completo, CPF, número do processo e identificação de advogados ligados à ação.

A aproximação costuma ser feita por telefone ou WhatsApp. Os criminosos se apresentam como integrantes do escritório responsável pelo caso e, em algumas situações, utilizam imagens de profissionais reais para tentar reforçar a falsa identidade.

Durante a conversa, a vítima recebe a informação de que teria valores a receber após uma decisão judicial. Os casos citados envolvem, em geral, revisões previdenciárias, indenizações ou precatórios. Para sustentar a fraude, são enviados documentos falsificados, como decisões, planilhas de cálculo e supostos ofícios de liberação, com assinaturas de magistrados ou servidores usadas indevidamente.

A cobrança aparece na etapa seguinte. Os golpistas exigem pagamentos antecipados, apresentados como taxas de desbloqueio ou despesas cartorárias. A vítima é pressionada a agir rapidamente, com mensagens que simulam urgência para evitar questionamentos.

Em Volta Redonda, o vereador e advogado Welderson Sidney da Silva Teixeira, conhecido como Sidney Dinho, relatou ter acompanhado um caso envolvendo um amigo que quase caiu no golpe. Segundo ele, a desconfiança surgiu após a análise da foto usada no aplicativo de mensagens. Dinho orientou que, em caso de dúvida, a população verifique o registro profissional antes de qualquer pagamento.

As perdas financeiras podem ser elevadas. Em uma investigação da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, no Rio, uma vítima teve prejuízo aproximado de R$ 65 mil após realizar transferências. Em outro caso, um aposentado perdeu mais de R$ 23 mil depois de seguir orientações por telefone, fazer dois Pix e contratar um empréstimo pessoal, sem conseguir recuperar o dinheiro junto ao banco.

Em outubro do ano passado, uma operação nacional cumpriu 25 mandados de busca domiciliar e 16 de prisão temporária no Ceará e no Rio de Janeiro. A ação mirou suspeitos de integrar um grupo especializado nesse tipo de fraude, que utiliza dados reais de processos para convencer as vítimas e desaparece após receber os valores.

Como resposta ao avanço dos casos, a Comissão de Constituição e Justiça da Alerj aprovou um projeto de lei que prevê a publicação de alertas oficiais sobre o golpe em portais de órgãos públicos estaduais. A proposta busca ampliar o acesso da população a orientações sobre como identificar contatos suspeitos.

A recomendação é desconfiar de qualquer pedido de depósito, transferência ou Pix vinculado à liberação de valores judiciais. Antes de pagar, a pessoa deve confirmar a informação diretamente com o advogado ou escritório responsável. Em caso de suspeita, a orientação é registrar boletim de ocorrência imediatamente, medida que pode auxiliar no bloqueio dos valores e nas investigações.


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