Uma mensagem atribuída a um enfermeiro preso nesta quarta-feira (15) é tratada como elemento central na investigação sobre a morte de um técnico em radiologia, de 43 anos, e sobre um suposto desvio de medicamentos controlados do Hospital São João Batista, em Volta Redonda.
A apuração é conduzida pela 90ª Delegacia de Polícia de Barra Mansa. Os investigadores analisaram conversas retiradas do celular da vítima e identificaram indícios de que o profissional de enfermagem sabia qual seria o destino das substâncias fornecidas.
Em uma das mensagens, o suspeito teria condicionado a entrega de duas caixas de um medicamento mais potente ao fato de a vítima sobreviver ao fim de semana. Para a polícia, esse conteúdo reforça a suspeita de que ele não apenas repassava produtos de uso restrito, mas também tinha conhecimento da intenção do técnico em radiologia.
A vítima foi encontrada morta em 4 de julho, dentro de casa, no bairro Santa Rosa, em Barra Mansa. Segundo a investigação, ela não tinha autorização nem acesso funcional a anestésicos usados em centros cirúrgicos e unidades de terapia intensiva. A suspeita é de que os medicamentos tenham sido obtidos de forma ilegal por meio do enfermeiro, que trabalhava no CTI do Hospital São João Batista.
Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão. Durante a ação, agentes localizaram medicamentos na residência do investigado, em Volta Redonda. O material será analisado por perícia para verificar possível ligação com o hospital.
O enfermeiro poderá responder, em tese, por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio com resultado morte, peculato, falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais, além de morte sem assistência.
As investigações continuam para identificar se outras pessoas participaram do suposto esquema de desvio e venda ilegal de medicamentos controlados.
Em situações de risco relacionadas ao suicídio, é possível buscar ajuda pelo telefone 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), com atendimento gratuito 24 horas. Jovens de 13 a 24 anos também podem acessar o chat Pode Falar, da Unicef. Em emergências, os contatos indicados são Bombeiros, pelo 193; Polícia Militar, pelo 190; e SAMU, pelo 192. Na rede pública, o atendimento pode ser procurado em CAPS, UBS e UPAs 24h.
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