O governo federal prorrogou por seis meses a cota de importação sem imposto para veículos elétricos desmontados ou semimontados. A decisão foi tomada nesta terça-feira (23) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior e gerou reação de montadoras instaladas no Brasil.
A autorização prevê volume de US$ 463 milhões, cerca de R$ 2,4 bilhões, com validade a partir de 1º de julho de 2026. No mesmo dia, teve início o desembarque de mais de mil veículos elétricos da BYD em um porto da Região Sul.
A medida favorece empresas que trazem ao país carros parcialmente montados para conclusão da produção em território nacional. A BYD, que importa unidades da China e finaliza veículos em Camaçari, na Bahia, está entre as principais beneficiadas.
Montadoras com operação no Brasil criticaram a prorrogação. Volkswagen, Stellantis, General Motors e Toyota enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando que o benefício não fosse mantido.
A Anfavea também reagiu à decisão e informou que pretende recorrer à Justiça. A entidade afirmou que a medida contraria interesses de trabalhadores, fabricantes nacionais de veículos e empresas brasileiras de autopeças.
A associação declarou ainda que a mudança ocorreu sem diálogo com o setor produtivo e altera uma política do próprio governo voltada a combinar a expansão da eletromobilidade com a atração de investimentos produtivos de longo prazo. A entidade também alertou para riscos a R$ 140 bilhões em investimentos no país.
Até o momento, o novo prazo da cota segue válido, enquanto o setor automotivo avalia medidas contra a prorrogação.
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